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Conheça a história de Michaela DePrince – de órfã na África a Solista na Holanda

Em homenagem ao dia da consciência negra, escolhemos falar da linda história da bailarina Michaela DePrince, que é uma história de muita superação para inspirar bailarinos e mostrar que se corrermos atrás de nossos sonhos com força de vontade eles podem SIM se tornar realidade!

Num mundo em que ainda há muito racismo se torna muito importante compartilhar histórias de sucesso como a de Michaela que deu a volta por cima de todas as dificuldades e hoje é uma das bailarinas mais admiradas da atualidade!

A história de Michaela começa de um jeito não muito feliz. Michaela nasceu em 1995 na Serra Leoa na África com vitiligo e, aos 3 anos de idade perdeu seus pais de forma trágica: seu pai morreu baleado na Guerra Civil no seu país e a sua mãe, de fome logo em seguida. Após essa tragédia, um tio dela a abandonou num orfanato e, durante o tempo que esteve lá, Michaela não teve uma vida nada fácil. Devido ao vitiligo, ela foi apelidada de coisas horrorosas como “criança do diabo”. Lá eram 27 crianças chamadas pelo número, de forma que a criança n° 1 era a favorita a ser adotada e recebia mais comida, e a 27, a que ninguém queria adotar e recebia menos comida. Michaela era a criança 27 e chegou a passar fome. Michaela era a última criança justamente pelo vitiligo. Ela tinha uma melhor amiga, a criança 26, e esta tinha esse número porque ficava muito doente e fazia xixi na cama.

Nesse período teve mais um episódio muito trágico e marcante na vida da pequena Michaela. Ela tinha uma professora, Sarah, que estava ajudando a ter aulas particulares e com essa professora Michaela já tinha compartilhado seu sonho de ser bailarina. Um dia, ao acompanhar a professora até o portão, rebeldes da Frente Revolucionária cortou a barriga de Sarah, grávida de sete meses e tiraram o bebê de lá. Quando souberam que era uma menina, cortaram suas pernas e braços. A professora morreu na hora. Michaela tentou salvá-la, mas nessa tentativa, também cortaram a barriga da pequena futura bailarina.

Tudo parecia péssimo na vida de Michaela, até que aos 4 anos a sua vida mudou. Michaela soube que finalmente seria adotada. Teve medo de ser separada de sua melhor amiga. Mas um casal americano a adotou junto com Mia, sua melhor amiga, a criança 26, e as levou para os Estados Unidos.

A sua mãe adotiva, Elaine, notou que, desde muito pequena Michaela já tinha obsessão pelo ballet. Michaela guardava uma capa de revista que chegou até ela no orfanato depois de um dia de chuva. Nessa capa tinha uma bailarina vestida de collant, meia rosa e sapatilha e Michaela decidiu que tinha que ser essa bailarina. Essa bailarina estava tão feliz por fazer aquilo (dava para ver na expressão da foto), e Michaela não era feliz há tanto tempo, que tinha que fazer ballet igual a menina feliz da revista.

Além disso, a mãe conta que acharam um DVD do ballet “O Quebra-Nozes” e Michaela deve ter assistido umas 150 vezes.  Quando elas finalmente foram assistir à apresentação ao vivo, ela conseguiu indicar para a mãe os momentos em que os bailarinos tinham errado os passos.

Quando chegou aos Estados Unidos, sem falar uma palavra de inglês, Michaela mostrou a foto da revista para a nova mãe e ela logo entendeu que a filha queria ser bailarina. Logo tratou de matricular a menina de 5 anos numa escola de ballet na Filadélfia. Michaela tinha vergonha da sua doença e não queria que ninguém a notasse. Chegou a comprar uma blusa para que cobrisse, mas estava tanto calor que ela tirou logo.

Ao perguntar para a professora se o vitiligo iria prejudicar a carreira, Michaela teve uma boa surpresa. A professora não tinha notado o vitiligo, pois apenas prestava atenção aos passos da aluna. Mas, mesmo nos Estados Unidos, ser uma bailarina negra ainda é problemático pois, entre as bailarinas que não são solistas, as meninas geralmente são parecidas.

Aos 10 anos a menina já fazia ballet 5 vezes por semana. E nessa época, ela perdeu um dos irmãos adotados pela família para a hemofilia. Nesse período ela se afastou da família pelo medo de amá-los e perdê-los. Mas recebeu todo o carinho da sua família e esse carinho fez com que ela se dedicasse cada vez mais ao ballet até se tornar bailarina profissional.

https://www.youtube.com/watch?v=vcHFpHUhM-4

Ela chegou a se apresentar no Youth America Grand Prix (vídeo acima), e em outras competições. Ela treinou no ballet clássico na The Rock School for Dance Education, na Filadélfia, Pensilvânia . Simultaneamente ao intenso treinamento de ballet, DePrince teve aulas on-line na Keystone National High School , onde obteve seu diploma do ensino médio.

DePrince recebeu uma bolsa para estudar na Jacqueline Kennedy Onassis School of Ballet do American Ballet Theatre por sua atuação no Grand America Prix da América. Ela seguiu uma carreira profissional, apesar de ter encontrado casos de discriminação racial: aos oito anos, foi informada de que não poderia atuar como Marie em O Quebra-Nozes porque “os Estados Unidos não estão prontos para uma bailarina negra” e, um ano depois, uma professora disse a ela mãe em que dançarinos negros não valiam a pena investir dinheiro.

DePrince foi uma das estrelas do documentário de 2011 First Position , que segue seis jovens dançarinos que disputam um lugar em uma escola ou escola de elite de ballet e se apresentou no programa de TV Dancing with the Stars . Em 2011, ela estreou na Europa em ‘Abdallah e a Gazela de Basra’ com a De Dutch Don’t Dance Division (Companhia de Dança de Haia, NL), Haia, Holanda. Ela voltou para lá um ano depois para dançar a Fada Açucarada em ‘The Nutcracker’ no Lucent Dance Theatre.

Em 2012, ela se formou na Jacqueline Kennedy Onassis School do American Ballet Theatre em Nova York e ingressou no Dance Theatre do Harlem , onde era o membro mais jovem da empresa. Sua performance profissional de estreia foi no papel de Gulnara na Mzansi Productions e na estreia do Corsário em 19 de julho de 2012.

Em julho de 2013, ingressou na companhia júnior do Dutch National Ballet , com sede em Amsterdã . Em agosto de 2014, ela se juntou ao Dutch National Ballet como uma éleve. Em 2015, ela foi promovida ao posto de Coryphée. Em 2016, foi promovida ao posto de Grand Sujet e, depois, a solista no final do mesmo ano. Quando ela se juntou ao Ballet Nacional Holandês, ela era a única dançarina de origem africana. Em 2016, ela se apresentou na sequência “Hope” de Beyoncé ‘s Lemonade .

Após ler essa história, você deve pensar: “essa história daria um filme”! Mas já pensaram nisso antes! Michaela escreveu, junto com a sua mãe, o livro “O voo da bailarina”, e em 2018 foi dito que Madonna dirigirá o filme contando a história dessa linda bailarina! O filme ainda não tem data de estreia, mas já estamos todos ansiosos para assisti-los! Deixo abaixo um vídeo que conta sobre o seu livro, só para dar um gostinho especial!

https://www.youtube.com/watch?v=bfh2AtBhZDM



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