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Tudo que você precisa saber sobre o tendu

O tendu é um dos primeiros passos que aprendemos no ballet e um dos mais básicos também, e justamente por isso é que é um dos mais importantes, pois vai te dar BASE para muitos outros. Então, o post de hoje é dedicado a tudo o que você precisa saber sobre esse passo.

1.Nomenclatura

Primeiramente o nome completo do tendu é na verdade “battement tendu”, que traduzindo, seria “batida esticada”. No ballet, o uso do termo “battement” indica todo passo quem que a perna de trabalho se afasta da perna de base e retorna à sua posição inicial. É por isso que no ballet vemos vários outros “battements”, mas que são comumente abreviados para só a segunda palavra que denomina o passo, como por exemplo: battement frappé, battement fondu, battement jeté, etc.

O “battement tendu” ou apenas tendu, é uma “batida esticada”, porque ambas as pernas, de base e a de trabalho estão esticadas durante a execução e o pé de trabalho não sai do chão, ao contrário do “battement jeté” ou “glissé”, em que o pé se distancia do chão poucos centímetros.

Ou seja, vemos que desde a nomenclatura, no ballet tudo tem um porquê, até mesmo o nome do passo, que se formos estudar, já sabemos o que quer dizer.

2.Execução

Se já sabemos que “battement tendu” é um passo em que as duas pernas estão esticadas, vamos entrar agora em mais detalhes sobre a sua execução. Esse passo deve ser feito da seguinte forma: a perna de trabalho vai à frente, ao lado ou atrás num degagé, na sua distância máxima sem tirar os quadris do lugar. Nesse caminho até a extensão máxima da perna, o en dehors deve ser mantido e o pé escorrega, passando pela meia ponta até esticá-lo ao máximo.

Se for devant, na frente, o calcanhar vai apontar para cima.  Assim, quando a perna sai, ele é quem começa o movimento. O calcanhar sai primeiro do chão, os dedos arrastam pela meia ponta e logo em seguida esticam. Na volta, os dedos veem primeiro e o calcanhar por último.

Se for derriére, atrás, a mecânica é a mesma, mas o calcanhar deve apontar para baixo e não para cima.

3.Objetivo

Vista a sua execução, pensaremos agora o seu objetivo. Porque se faz tendu? O que ele trabalha? Para quais passos ele prepara?

Se o tendu, vai ser um passo que durante a sua execução sempre se passa pela meia ponta, com a consciência de não virar en dedans, e de usar os calcanhares no sentido certo, percebemos, então, que estamos fazendo um trabalho de pés. Se você é daquelas que o pé está frouxo na execução de alguns passos, já reparou no seu tendu?

Ele, então, é um passo “de iniciante”, mas que nenhuma bailarina deve ignorá-lo, principalmente na barra, que é onde vamos começar a preparar o corpo para dançar. Balanchine disse “se você faz apenas o tendu bem, não precisa fazer nada mais”. Claro que, essa frase, dotada de algum exagero, tem certa razão, porque os tendus, junto com os pliés, vão ser a base da sua técnica clássica e, se como você trabalha, vai definir a execução de vários outros passos do ballet. Se você ignora esses passos de base, vai deixar passar a execução de muitos outros, ou vai executar de maneira “suja”. Vai ser ele que vai te preparar para os jeté, grand battements, mais tarde até mesmo alguns saltos e muitos outros passos que vão precisar dessa consciência de arrastar o pé no chão, passar pela meia ponta e esticar.

O tendu vai ter o objetivo, além de esticar os pés, trabalhando-os com a consciência correta, vai trabalhar todos os músculos e ligamentos da perna, e quando bem executado, vai dar a força e flexibilidade às pernas, coisas que precisamos no ballet O TEMPO TODO! Por isso, ele vai merecer TODA A SUA ATENÇÃO! E também vai ser por isso que pode ser que os professores de ballet deem duas sequencias de tendu na barra e também o deem no centro. Praticamente toda aula de ballet tem tendu e isso se justifica!

4.Como é dado em aula

O tendu, geralmente logo após o plié, é um dos primeiros passos da aula de ballet, dado na barra e também no centro. Vamos entender agora, então, como os tendus são pensados durante uma aula. Cada exercício de uma aula de ballet deve ser uma preparação para o próximo, e assim por diante até o final. Eles são, portanto, todos inter-relacionados e não devem ser feitos em uma ordem não estruturada.

Como regra geral, os primeiros tendus da barra ocorrem primeiro, em ritmo lento, com demi-ronds à terre, passés par terre, demi-pliés. Esses exercícios podem ser aprimorados posicionando a perna de trabalho em demi-plié na meia ponta. Deve se harmonizar os port de bras para solicitar a parte superior do corpo. Ao praticar esses exercícios, também pode usar os pés em flex para sentir e esticar o tendão de Aquiles. A repetição dos exercícios preparatórios e dos pliés, somados aos primeiros tendus, permite a transição lógica com os outros exercícios de tendus.

O ritmo lento torna necessário abrir e fechar a perna muito suavemente, usando todos os músculos do pé; cada dedo do pé está em contato com o solo (sem apoio no dedão do pé). Isso ajuda a fortalecer o pé, mas também a torná-lo mais flexível, mais elástico, o que é necessário em uma estética moderna de ballets clássicos e contemporâneos.

Para finalizar o exercício, pode se pedir um alívio com os pés e os braços na primeira posição, para dar a sensação de equilíbrio do corpo inteiro. Ao fazer essa combinação, se usa, para ter um ritmo mais lento, um tempo musical de 3/4, que torna os movimentos mais flexíveis.

Os segundos tendus da barra ocorrem, se for o caso do nível técnico da turma, em quinta posição (nos níveis mais iniciantes os passos de aula só são trabalhados em primeira, segunda e terceira), com um ritmo mais rápido. Para tornar os tendus mais precisos, usamos um tempo musical de 2/4. Nesse caso vai ser trabalhada a agilidade do bailarino. Podemos concluir e desenvolver o exercício com, por exemplo, soutenus, retirés, temps liés, développés-pointés, enveloppés e muitos outros.

Nos tendus do centro, continuamos a trabalhar a força e a beleza do pé, prestando muita atenção à sua relação com o solo, sempre com muita flexibilidade. Pode se adicionar giros a essa combinação. Também podem ser adicionados vários tipos de pequenas piruetas en dehors e en dedans. Se dá atenção à coordenação dos braços, pernas e cabeça, que é muito precisa, principalmente na conexão de diferentes movimentos e na transição de uma posição para a outra, além de alternar pernas. Também se usa o temps lié à terre em quarta e segunda posições, os demis grands ronds, os petits développés à terre, os enveloppés começando com talon, os soutenus, os pas de bourrée, os ballottés, com ou sem developpés. Aqui se usa um tempo musical de 2/4.

 

E isso era tudo o que você precisava saber sobre os tendus. Agora, depois de ler esse post, você vai dar toda a atenção ao tendu que ele merece e nunca mais vai deixar ele passar batido!



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