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A despedida dos palcos de Thiago Soares

Thiago Soares, bailarino brasileiro, que hegou a ser primeiro bailarino do Royal Ballet, uma das companhias mais famosas e mais desejadas do mundo, se despediu dos palcos para se tornar professor e coreógrafo.

 

Thiago nasceu em 18 de maio de 1981 no Rio de Janeiro. Mas apesar de ter se destacado como bailarino clássico, não foi com o ballet que ele começou a vida artística. Aos nove anos, começou a frequentar a Escola de Circo, onde encontrou na acrobacia e atuação as primeiras experiências de sua arte. Vivendo um momento de proeminência, ainda no circo, Thiago foi encorajado a buscar uma escola de dança para aperfeiçoar seus movimentos no breakdance e no hip-hop.

 

O ballet mesmo, ele só começaria aos 15 anos, quando iniciou as suas aulas no Centro de Dança Rio, no Méier. O jovem bailarino, que começou a se destacar por suas habilidades e por ter um ideal para a dança, passou a integrar, aos 17 anos, o corpo de baile do  Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

 

Nesse mesmo ano, conquistou a Medalha de Prata no Concurso Internacional de Dança de Paris. Em sua trajetória no Rio de Janeiro, interpretou os papéis principais em ‘O Quebra-Nozes’, ‘Don Quixote’, ‘Floresta Amazônica’, ‘O Lago dos Cisnes’ e em ‘Tome Valsa’, criado por Tindaro Silvano especialmente para ele e a bailarina Cecília Kerche.

 

Em 2001, participou do Concurso Internacional do Ballet Bolshoi, na Rússia, e conquistou a medalha de ouro, disputada entre mais de 270 candidatos. A vitória foi um marco na história da dança nacional, já que foi a primeira e única conquistada por um brasileiro até hoje. Após isso, foi convidado para estagiar no Ballet Kirov, tornando-se o segundo estrangeiro a integrar a companhia em 100 anos de história.

No ano seguinte, foi convidado a integrar o corpo de baile do Royal Ballet de Londres. Em 2002, foi promovido a solista; em 2004, passou a ser primeiro solista e foi premiado como a artista revelação masculino de dança clássica, pela premiação Critics’ Circle National Dance Awards. E então, em 2006, conquistou o posto de Primeiro Bailarino do Royal Ballet.

 

No Royal, o seu repertório inclui ballets como: Onegin, A Bela Adormecida, La Bayadère, O Lago dos Cisnes, O Quebra-Nozes, Coppélia, Voluntários, Gong, Romeu e Julieta, Anastasia, Manon, Sonhos de Inverno, Mayerling e Las Hermanas, e também montagens criadas especialmente para ele: Les Saisons, The Seven Deadly Sins, Sweet Violets and Raven Girl.

 

Fora do Royal Ballet, Thiago Soares se apresenta ainda como convidado nos principais teatros do mundo. Já se apresentou no Teatro Alla Scalla di Milano, Teatro Argentino de La Plata  Bolshoi, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Estonian National Opera, Teatro dell’Opera di Roma e o Munich National Theatre.

 

Em 2008, promoveu a realização de um espetáculo especial, Thiago Soares & Friends, que levou aos palcos brasileiros estrelas da dança internacional como Alicia Amatriain, David Makhateli, Jason Reilly, Laura Morera, Marianela Núñez, Natalia Kremen e Ricardo Cervera sendo visto em várias capitais do país.

 

Em 2012, Thiago se apresentou na Cerimônia de Encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres, representando a cultura brasileira. E, em 2013, recebeu o prêmio Special International Press da Embaixada do Brasil em Londres em reconhecimento à sua contribuição para as artes.

 

Nos últimos anos, tem se dedicado também à criação e direção de alguns projetos pessoais. Para comemorar seus 15 anos de carreira internacional, teve uma temporada no Brasil com o espetáculo “Paixão”, em que reuniu repertórios clássicos e novos coreógrafos, como “O lago dos cisnes”, “La bala”, do português Arthur Pitta, e “Caresse du temps”, que marcou a estreia de Alessio Carbone, primeiro-bailarino do Ballet da Ópera de Paris, como coreógrafo. O espetáculo ainda contou com a coreografia “Paixão”,  idealizada por Deborah Colker, e que deu nome ao conjunto da obra.

 

Em 2016, mais um marco em sua carreira: o espetáculo Roots. Com direção de Ugo Alexandre e Renato Cruz, Thiago dividiu o palco do Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, com Danilo D´Alma, bailarino e coreógrafo reconhecido no cenário das danças de rua do Rio. O espetáculo, produzido por Miguel Colker, foi uma volta ao passado de Thiago e promoveu um diálogo entre a dança clássica e a dança de rua contemporânea.

Mas, apesar dessa riquíssima trajetória no ballet, há um ano, o bailarino começou a traçar um plano cujo momento mais emocionante ocorreu dia 29 de fevereiro de 2020, quando ele se despediu do Royal Ballet.

 

Será o final de um ciclo e o início de um novo. Afinal, foi lá que Soares ingressou em 2002, depois que suas atuações internacionais impressionaram os membros do Royal. Apresentações tão especiais que apenas quatro anos mais tarde, em 2006, ele assumiu o cobiçado posto de primeiro-bailarino da companhia inglesa.

 

“Minha carreira se assemelha à de um rapaz que entra em uma empresa como porteiro e logo chega a CEO”, diz o brasileiro, cuja despedida é assunto dos principais jornais britânicos – o Financial Times, por exemplo, dedicou-lhe uma generosa matéria, na qual destaca as interpretações inteligentes que Soares conferiu a papéis complexos, além de resumir a acertada decisão de parar: “A vida de um bailarino é cruelmente curta e, ainda no auge, com seus 38 anos, ele faz sua última reverência no Covent Garden para iniciar uma nova vida como intérprete, coreógrafo e professor”, diz o jornal.

 

“Sim, decidi parar de dançar quando ainda estou em um ótimo momento da minha carreira, mas continuarei no palco, agora como um dançarino autônomo”, afirma. Nessa apresentação, Soares decidiu dançar Onegin, coreografia criada por John Cranko em 1965, com música de Tchaikovsky – não a conhecida partitura criada em 1878 para a ópera homônima, mas com obras menos conhecidas do compositor russo. “Escolhi Onegin porque é um trabalho com diversos duetos e que me permite apresentar variações do meu trabalho.”

 

De fato, a coreografia une técnica primorosa a um forte trabalho de interpretação, justamente as duas qualidades mais marcantes na dança executada por Soares. Com suas particularidades latinas depuradas pela técnica, o brasileiro levou novos elementos ao consagrado corpo de baile britânico. Foi um casamento perfeito.

 

“Ao longo dos anos, percebi que no Royal existia um jeito próprio de dançar, muito próximo da atuação teatral. O personagem fala através do corpo, com forte carga dramática – certamente há algo da tradição de Shakespeare. E, graças à minha experiência com street dance, consegui me adaptar com facilidade.”

 

Após a apresentação do último dia 29, Soares vai focar em sua carreira solo. E a agenda já está recheada de compromissos: no próximo dia 8 de maio, ele inicia em Lisboa a turnê de Roots, em que resgata o início da sua vida artística no Rio, dançando break e hip-hop nas ruas e festas da Zona Norte. O espetáculo vai, em seguida, para Berlim.

 

No meio do ano, Thiago Soares começa a dar aulas na escola de verão do Royal Ballet e ainda não descarta uma montagem de Yerma, de Villa-Lobos, para o Municipal do Rio, cidade onde não abandona seus alunos – hoje são 12. Também prepara um livro sobre sua trajetória. “Faz um ano que trabalho nesse projeto, é quase terapêutico relembrar histórias tão boas.”

 

Thiago com certeza trilhou um caminho de muito sucesso na dança e é inspiração para muitos bailarinos. Esperamos os próximos acontecimentos do agora professor e coreógrafo Thiago, que vai continuar brilhando, mas agora fora dos palcos.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Thiago_Soares

 

https://www.uai.com.br/app/noticia/artes-e-livros/2020/02/29/noticias-artes-e-livros,256352/depois-de-chegar-ao-topo-no-royal-ballet-thiago-soares-se-despede-da.shtml