Como trabalhar a competição no ensino infantil?

Nossa diretora, Nelma Darzi, conta sobre como é importante abordar esse assunto dentro da sala de aula

A competição é um assunto bastante polêmico que vivenciamos na educação infantil, seja na dança, nos esportes ou no cotidiano das crianças. Sempre questionamos se a competição é saudável ou não, ou se o professor deve incentivar a competição em suas atividades com crianças, por isso, separei algumas dicas para ajudá-los a trabalhar a competição dentro do ensino infantil de uma forma mais saudável.

É bom lembrar que a criança não nasce competitiva, mas com o tempo isso muda e uma coisa que podemos ter certeza é que competir faz parte da natureza humana. Podemos perceber que a competição está em toda parte, muitas vezes a criança para ingressar num colégio, por exemplo, precisa passar por um processo seletivo, para ingressar na faculdade ou conseguir o emprego dos sonhos vem mais competição, por isso, precisamos preparar nossas crianças para a vida adulta.

Alguns especialistas dizem que é muito melhor trabalharmos a cooperação em vez da competição, mas, na minha opinião, acredito que é preciso trabalharmos as duas coisas simultaneamente. Tanto a cooperação como a competição fazem parte de um processo de socialização e a união das duas pode ser muito positiva pra que a criança se sinta integrada num grupo, melhorando sua autoestima, autoconfiança e suas habilidades motoras e sociais.

Muitas vezes essa prática competitiva pode estimular ou desestimular uma criança então podemos dizer que a competição pode ser construtiva ou destrutiva. Cabe ao professor estar atento e trabalhar para que esse processo aconteça de forma apenas construtiva.

Sabemos que nas atividades de competição as crianças são desafiadas a superar os seus limites e dificuldades, o que a princípio pode ser muito bom e talvez essa questão seja a mais importante nesse tipo de atividade.

O professor pode trabalhar com a prática da competição, mas deve ser de uma forma construtiva para a criança.

O argumento motivacional das atividades competitivas é o vencer, porém o professor deverá ter em mente que para ajudar os seus alunos ele deve agir de forma que a vitória pode ser valorizada sim, mas sem muito exagero. Devemos evitar que a criança se sinta o melhor do mundo ou que pensem que precisarão sempre ser vencedoras. Perder também pode ensinar muito, as crianças precisam desenvolver desde cedo a capacidade de lidar com suas frustrações e com o fracasso, e é bom lembrar que o ser humano, naturalmente, tem grande capacidade de superação e de aprender com os erros e se corrigir.

A criança não deve ter a sensação de que precisa sempre ganhar e também não deve ter medo de perder. Precisamos deixar claro que a motivação não deve ser apenas vencer, mas sim atingir graus de progresso e melhorias, reconhecer e valorizar essa evolução é muito importante.

Devemos estimular as crianças a competirem antes de mais nada, com elas mesmas, criando esforços e atitudes para melhorarem e superarem seu próprio desempenho e incentivando a darem o melhor de si. A criança deve arriscar sem ter medo de perder e ter foco nos objetivos que almejam.

A busca da vitória a qualquer custo acaba afastando a criança da atividade ou pior ainda, pode desenvolver um quadro de ansiedade e até mesmo atingir um nível de estresse.

O mundo está ficando cada vez mais competitivo, é bom a criança aprender desde cedo e pra isso será necessário: incentivar, estimular e ensinar que ela pode ganhar, mas que também pode perder. Podemos fazer isso através de jogos, brincadeiras e convívio social.

Os pais também precisam entender que a infância é uma fase de desenvolvimento global e não precisamos priorizar sempre a vitória. Para a criança desenvolver seu potencial e participar de forma saudável de atividades competitivas, ela precisa do total apoio dos adultos que estão ao seu redor e eles precisam valorizar a sua dedicação e seu esforço parabenizando e reconhecendo o seu desempenho.

As minhas dicas para ajudar a trabalhar a competição de uma forma saudável com crianças são: evite comparações dentro e fora da sala de aula, conscientize os pais, crie a consciência do significado de ganhar e perder, compare a evolução do aluno durante as aulas e procure entender quais os aspectos motivacionais que levaram a criança a participar da prática competitiva. Se você tiver em sua turma uma criança muito competitiva e habilidosa, o meu conselho é estimular o aluno a encorajar outra criança a fazer o seu melhor, esse aluno pode colaborar e ajudar uma outra criança a superar algumas dificuldades.

As atividades competitivas devem ser adaptadas para as crianças onde o mais importante é o processo de aprendizagem pelo qual a criança passou e não somente valorizarmos os resultados. Assim a criança pode desenvolver de forma positiva a sua percepção de competência e controlar a sua ansiedade. A competição deve ocorrer de forma saudável e respeitosa.

Finalizando, vamos lembrar que antes de tudo, devemos focar nas funções que possam contribuir com o desenvolvimento intelectual, cognitivo, éticos, morais e sociais. E mais importante que ganhar é ter boa convivência e relacionamento com os amigos, é saber cooperar e fazer parte do grupo.

Escrito Por: Nelma Darzi

Nelma Darzi é a diretora artística da Escola de Dança Petite Danse e do Projeto Social Dançar a Vida. Pós graduada em Didática da Dança Infanto Juvenil e em Administração Escolar. Além disso, licenciada em Educação Física e especializada em Artes Cênicas.

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