Como subir nas pontas segundo Agripina Vaganova

Subir na ponta é o sonho de toda bailarina clássica. Seja no ballet adulto ou no ballet infantil, é um momento muito esperado! Mas, por mais que seja o maior sonho, isso deve ser feito com todo o cuidado e preparo.

Por isso, neste post, separamos os conceitos de Vaganova, uma das maiores professoras de ballet de todos os tempos, para subir na ponta corretamente.

Vaganova publicou um livro em 1934, “Fundamentos da Dança Clássica”, que ficou muito conhecido pelo mundo como uma “Bíblia do ballet” e o desejo de todo professor de ballet. Nessa obra prima, a maître de ballet, indicou como deve ser a aula e como deve ser a subida nas pontas por bailarinas iniciantes.

Segundo Vaganova, a dança nas pontas é uma dança na pontinha de todos os dedos com o peito do pé esticado, mas existem dedos muito diferentes e eles dependem da constituição da perna da bailarina.

O mais confortável para a dança nas pontas é a perna com os dedos regulares, o peito do pé não muito alto e com o tornozelo sólido e forte. Já a perna que muitos de nós achamos bonita, com o peito do pé alto, o tornozelo bem contraído e fino, com os dedos corretamente agrupados, dificulta o movimento na ponta, principalmente os saltos.

Se a perna não consegue subir em todos os dedos, como aconselham as regras da dança clássica, ela ainda pode ser ajudada, aumentando cuidadosamente a rotação externa (en dehors).

Em relação às pontas, segundo Vaganova, a técnica italiana possui uma superioridade incontestável. Cecchetti ensinou a se subir na ponta de um pequeno salto, empurrando-se precisamente o chão. Essa maneira trabalha uma perna mais forte e ensina a concentrar o equilíbrio do corpo em um ponto.

Ainda de acordo com ela, a técnica francesa de subir na ponta suavemente, desde os primeiros passos do ensino, afasta a perfeição técnica.

Para o iniciante, é difícil subir na ponta de uma vez a partir de um salto, por exemplo, com um salto subir na 5ª posição nas pontas. Pareceria ser mais fácil correr e se posicionar na ponta em uma perna – isso se consegue facilmente; mas isso é improdutivo, porque, de início, deve-se aprender minuciosamente a subir corretamente em ambas as pernas nas pontas para fortalecer plenamente os ligamentos do pé. O acesso casualmente escolhido para o movimento, somente desencaminhará a estudante da técnica correta.

Para os que estão começando as aulas de ponta, deve-se começar da seguinte maneira: de frente para a barra, com as duas mãos sobre ela, juntar as mãos e subir nas pontas em todas as posições, empurrando o chão com os calcanhares antes do início do movimento. E enquanto os ligamentos do pé não se fortaleçam o bastante para isso não se deve fazer saltos na ponta.

Passando para o centro, deve-se seguir a seguinte sequência:

1)    Temps levé nas duas pernas

2)    Échappé nas pontas

3)    Glissade

4)    Temps lié

5)    Assemblé soutenu

6)    Jeté nas pontas

7)    Sissone simples

8)    Sissone ouvert

Em seu livro, Vaganova pensou em cada razão de cada passo ser executado numa determinada ordem, principalmente ponderando o tipo de trabalho que deve ser feito para irmos preparando o corpo para o movimento que vem a seguir. Essa ordem da aula de ballet clássico que Vaganova propôs é seguida pelo mundo até os dias de hoje e não é por acaso! O respeito à técnica clássica e ao corpo humano foram muito enfatizados pela mestre. Então, se seguirmos o que ela indica para se subir nas pontas, certamente faremos isso de forma segura.

Fonte: Fundamentos da Dança Clássica – Agripina Vaganova, traduzido por Ana Silvério – 3ª edição.

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