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8 Curiosidades sobre o en dehors que você precisa saber

O en dehors é um objeto de desejo de quase todo bailarino. Mas vamos falar mais sobre ele e entender melhor como ele funciona? Separei neste post 8 curiosidades para vocês saberem mais sobre isso!

 

 1. “En dehors” é um termo francês e significa “para fora”. No ballet, isso quer dizer basicamente duas coisas. A primeira delas, é a rotação externa que se trabalha em todos os passos do ballet; ou seja, os pés no ballet estarão sempre apontados para fora. A segunda, quer dizer que é um sentido de orientação dos passos ballet, que podem ser feitos ou para fora ou para dentro. Uma pirueta en dehors, por exemplo, significa que ela é para fora em relação a perna de base. E assim como existem passos en dehors, existem passos en dedans, que serão feitos para dentro em relação a perna de base. Mas isso não quer dizer que os pés estarão para dentro. No ballet, isso não existe. Os pés estarão sempre para fora (en dehors), mesmo que o passo seja en dedans (para dentro).

 2. O en dehors é uma das bases do ballet e é o que diferencia o ballet das demais danças. Mas a origem histórica do en dehors na dança clássica pode ter três justificados:

1ª. O Teatro Grego, na Idade Antiga. Acredita-se nesta origem histórica porque neste momento, em que eram fortes na Grécia Antiga as modalidades teatrais da tragédia, comédia e sátira, ao abrir os pés en dehors percebeu-se que dessa forma, conseguia-se falar para mais gente. Os teatros à época eram “teatros de arena”, a plateia se formava em meia lua, então se justificava essa preocupação em falar para mais gente.

2ª. O Teatro Elisabetano, no início da Idade Moderna, citado no livro Dançar à Vida, de Roger Gaudy. Esse tipo de teatro foi produzido durante o reinado de Elisabeth I da Inglaterra, de 1558 a 1603, tendo como seu grande expoente William Shakespeare. Ele teve a influência do período renascentista e tinha como referência a cultura grega. Não é de se estranhar a similaridade entre os dois tipos de teatro. O Elisabetano, assim como o Grego, também era ao ar livre e a sua forma também lembrava a de um circo. A plateia também se sentava em forma de meia lua. Aqui se percebeu que abrindo os pés em en dehors, se conseguia ser melhor visto pelas pessoas.

3ª. O livro “Orchésographie”, de Thoinot Arbeau de 1588. Este foi o primeiro livro francês sobre a dança e já trazia noções de en dehors, chamando de “virada para fora”.

3. O en dehors também está presente nas cinco posições básicas do ballet clássico. Essas posições são as mesmas em todos os métodos do ballet e foram criadas por Pierre Beauchamps no reinado de Luis XIV na França.

4.  Algum tempo depois, ainda no longo reinado de Luis XIV,  o en dehors de fato começou a ser posto em prática na dança clássica na França. Pois, com os figurinos pesados e os sapatos de saltos baixos da época, se movimentar com os pés para fora, dava mais estabilidade aos bailarinos e fazia com que eles não tropeçassem na roupa.

5. O método do Royal (Royal Academy of Dance – RAD) é o único que acredita que o bailarino pode ir trabalhando aos poucos o en dehors até chegar à rotação desejada. Esse método recomenda que os iniciantes comecem abrindo os pés num ângulo de 100° e ir aos poucos abrindo mais até conseguir os 180° sem se lesionar. O RAD criou o programa “Ballet para todos”, com a ideia de que todos podem dançar (isso é diferente do Royal Ballet, ok? Para entrar lá, a bailarina realmente precisa ter o melhor físico possível). Já as demais metologias, ou você nasce en dehors, ou não tem mais jeito de se trabalhar para melhorá-lo. E até hoje muitos professores de ballet ensinam assim!

6. Caso você pense que o en dehors se justifique no ballet somente pela sua estética, está totalmente enganado, pois ele não só vai tornar os movimentos mais bonitos, como também facilitar ou ainda possibilitar a execução deles. Darei aqui alguns exemplos para auxiliar no entendimento.

O en dehors é o que permite que um dançarino levante a perna elegantemente para o lado, deslocando os quadris ou o tronco. Tente fazer isso sem essa rotação e você verá que quando sua perna atinge a altura da cintura, seus quadris se tornam irregulares e seu alinhamento é perdido. O en dehors facilita tudo o que você faz no ballet, e as baterias seriam completamente impossíveis sem ele: faltando en dehors, as baterias ficariam no meio do caminho das batidas

7. Estamos falando aqui que o en dehors é a virada dos pés para fora. Mas embora seja sim uma virada de pés, ela não será presente só neles. O en dehors é uma rotação que começa em verdade desde a coxa/fêmur (rotacional-se a articulação coxofemoral). Esta noção os bailarinos devem ter bastante na cabeça e devem ser bem orientados para isso, caso contrário há os seguintes riscos, que você não gostará de ter:

1º. Tensionar os dedos,

2º. Colocar o peso no dedão,

3º. Lesionar tornozelos e joelhos.

8.Ter facilidade ou dificuldade nessa rotação é uma característica individual de cada bailarino. E uma das coisas que vai fazer presente essa diferença entre os corpos vai ser o posicionamento do seu acetábulo, que é basicamente uma cavidade onde se encontra no quadril que se articula com a cabeça do fêmur. Dependendo de onde o seu se localiza, você pode ter naturalmente mais facilidade ou dificuldade no en dehors. Mas isso não quer dizer que você não possa trabalhar com consciência e melhorar o seu.

Esses foram só alguns aspectos do en dehors. Se você se interessou, e quer saber um pouco mais dos aspectos dele no nosso corpo, não deixe de assistir os vídeos da nossa Semana da Anatomia Aplicada à Dança, que está acontecendo agora! Basta clicar nesse link aqui que os vídeos estão com um conteúdo riquíssimo!

Até o próximo post!



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